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Sachês que substituem refeições são base de nova dieta proteinada 2


31/07/2013



Quem já tentou vários regimes, e não conseguiu emagrecer, tem agora mais uma opção para tentar vencer a guerra contra a balança: a dieta proteinada. Trata-se de um método que utiliza substitutos alimentares – pó para ser diluído em água – à base de proteínas de alto valor biológico, seguido de uma etapa de reeducação alimentar.

"Ao contrário da dieta da proteína tradicional, hiperproteica, esta não sobrecarrega fígado e rins porque oferece proteínas de acordo com a necessidade diária do paciente", explica Isabela Bussade (RJ), mestre em endocrinologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e responsável científica pela PronoKal, multinacional europeia que propõe o sistema.

A técnica só pode ser prescrita por médicos – treinados pela empresa – e compreende três fases. Na primeira, são empregados sachês alimentares à base de proteína, combinados com suplementação vitamínica e consumo de verduras com baixo teor de carboidrato. Neste período, o organismo entra em estado de cetose, utilizando depósitos de gordura como fonte energética e promovendo saciedade.

Na segunda fase, os alimentos são reincorporados ao cardápio progressivamente, ainda combinados com os substitutos (pós). Na terceira, a de manutenção, que pode se estender por até dois anos, o paciente se submete a um cardápio adequado às suas novas necessidades. "Pela saciedade gerada pelas proteínas, não é preciso usar medicações para controlar a fome", diz Bussade, acrescentando que a metodologia foi desenvolvida na Espanha há oito anos.

♦ Para cada caso, um menu especial

Como a dieta tem que ser personalizada, a consulta médica deve, obrigatoriamente, incluir exames laboratoriais que considerem as funções hepática e renal, história clínica de obesidade e rastreamento para transtornos alimentares – pois estes últimos são uma contraindicação ao tratamento. "Se a pessoa for liberada para fazer a dieta, é realizada uma prescrição que deve ser reavaliada a cada 15 dias. A escolha dos sabores que entrarão na composição do cardápio conta com o auxílio de nutricionistas para individualizar ao máximo o processo", diz a endocrinologista.

Em relação ao custo do tratamento, varia muito em função de quantos quilos o paciente tem que perder e de quantos envelopes consumirá por dia. Uma caixa contém sete envelopes (ou seja, sete refeições) e custa R$ 65. Se a pessoa iniciar o método com cinco por dia, terá um custo diário de R$ 47. "Na primeira fase, ela irá ingerir somente os produtos da marca e vegetais no almoço e jantar. Ou seja, não haverá gastos com refeições na rua e muitas vezes o custo diário é menor do que se costumava despender.

É importante dizer também que, à medida que o paciente vai perdendo peso e avançando de fase, o número de envelopes diminui e os alimentos convencionais retornam, ficando menor o investimento", comenta Fernanda Caldeira, nutricionista-chefe da Pronokal, acrescentando que cada paciente tem que eleger o médico de sua escolha (que tenha feito o curso de formação PronoKal) e pagar suas consultas à parte.

Os que mais irão se beneficiar são os que apresentam Índice de Massa Corporal (IMC) compatível com sobrepeso ou obesidade. "Muitas pessoas vivem fazendo regime, sem sucesso; outras não podem utilizar medicamentos. É aí que a metodologia entra para mudar tais trajetórias", destaca Isabela Bussade.

O menu à base de proteínas funciona porque, quando se reduz o consumo de carboidratos, cai a produção de insulina e sobe a de um hormônio chamado glucagon. Tais ações favorecem a maior quebra de gordura (lipólise) e ativação da cetose, levando o indivíduo a sentir menos fome. "Quem sofre com hipertensão arterial e alterações no perfil lipídico, com problemas de colesterol, triglicerídeos e glicose, apresenta uma melhora significativa em seus quadros clínicos. Além da perda de peso, a saúde é beneficiada como um todo."

♦ Em vez de refeição, sachês saborosos

Os substitutos alimentares do método PronoKal vêm na forma de pó que, ao ser diluído em água, se transforma em alimentos de consumo habitual, como suco de laranja, panqueca, omelete, brownie, mousse de chocolate. Apesar de terem aspecto e paladar semelhante a itens à base de carboidratos e gorduras, todos os envelopes têm praticamente a mesma composição, elaborada em texturas e consistências diferentes (para o cardápio não ficar monótono): 15 g de proteínas desidratadas de alto valor biológico e um conteúdo de carboidratos muito baixo. "Cada sachê deve substituir uma refeição.

De acordo com a fase de tratamento, duas a seis refeições podem ser substituídas", esclarece Fernanda Caldeira. São seis categorias de preparados: sopas e cremes; omeletes e salgados; confeitaria (minibolos, panqueca e arroz doce); sobremesas; chocolates, cafés e chás; e bebidas de frutas. "Para entender bem, tomemos o exemplo do omelete: o paciente vai diluir o conteúdo desse envelope em 100 ml de água e colocar essa mistura em uma frigideira antiaderente. A partir daí, o preparo será como o de um omelete tradicional."

Todos os produtos têm o preparo inicial igual: misturar o conteúdo do envelope em determinada quantidade de água (informada na embalagem). Depois, a finalização será no microondas, na geladeira, no forno convencional ou na frigideira, novamente conforme indicação da embalagem. No caso de alguns produtos, como as bebidas com frutas, basta misturar água e acrescentar gelo. A água para preparo deve ser sempre em temperatura ambiente. "Em relação às sobremesas, deve-se diluir em água e colocar para gelar. Chocolates e cafés, diluir em água e aquecer no microondas – ou colocar na geladeira, caso a pessoa prefira consumir gelado", especifica a nutricionista Fernanda Caldeira.

Importante: na primeira fase, em que ocorre a dieta cetogênica, é esperado que o paciente perca 80% do peso total programado; na fase 2, de reeducação alimentar, os 20% restantes. "A dieta proteinada é normoproteica e, por isso, é oferecido ao indivíduo de 0,8 mg a 1,2 mg de proteína por kg de peso ideal ao dia. Em média, ele consome diariamente 75 g de proteína. Nas dietas hiperproteicas, a oferta de calorias é muito maior, o que pode gerar sobrecarga metabólica", observa a endocrinologista.

♦ No restaurante, só a salada

Quem adere ao programa não fica proibido de comer fora. Como o consumo de verduras e legumes acontece desde o início, é possível ir a restaurantes e pedir saladas, por exemplo. "A metodologia é prática e fácil de ser adaptada ao cotidiano da maioria das pessoas. Acompanho executivos e donas de casa aderindo a ela com a mesma eficácia", reflete Luciana Spina, doutora em Endocrinologia pela UFRJ e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

Ela recomenda a metodologia para qualquer indivíduo que esteja pelo menos 8 a 10 kg acima do seu peso ideal, principalmente os que já fizeram muitos regimes, estejam dispostos a mudar seus hábitos alimentares e, acima de tudo, "tenham compromisso com o acompanhamento médico", com motivação e disciplina. "Não vale para quem quer eliminar poucos quilos ou não tem vontade de alterar o cardápio", diz a médica, lembrando de casos de hipertensos que suspenderam a medicação depois da perda significativa de peso.

Para Spina, a velocidade com que se emagrece gera incentivo e maior adesão ao tratamento. "A pessoa não passa fome, fica saciada e sente bem-estar, o que facilita a manutenção em longo prazo." O tratamento, que já contemplou mais de 300 mil indivíduos no mundo, pode melhorar condições patológicas associadas à obesidade, como diabetes, hipertensão arterial, hipercolesterolemia, resistência à insulina e apneia do sono.

♦ Críticas

Segundo um estudo publicado no ano passado por pesquisadores espanhóis e publicado no periódico Formación Médica Continuada en Atención Primaria, dietas proteinadas como a do Dr. Dukan e a própria PronoKal (bastante popular naquele país) trazem riscos à saúde. Em primeiro lugar, porque levam as pessoas a acreditar que o alto consumo de proteínas ajuda a emagrecer (e não o baixo valor calórico). Isso seria perigoso porque a ingestão proteica excessiva pode sobrecarregar os rins.

O trabalho, de autoria de Julio Basulto Marseta, Maria Manera Bassolsa, Eduard Baladia Rodrígueza, da Associação Espanhola de Nutricionistas, também alerta para os riscos de se perder peso rapidamente, entre eles o de se recuperá-lo em pouco tempo (o chamado efeito-sanfona). Por último, lembra que não há estudos científicos que garantam a eficácia e segurança dessas dietas a longo prazo, em especial para a saúde.



Fonte: Boa Forma Uol



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