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Aumento do uso de antidepressivos preocupa médicos pelo mundo


21/11/2013



O uso de antidepressivos disparou em todo o mundo na última década, de acordo com a Organisation for Economic Co-operation and Development, levantando preocupações entre os médicos em relação à forma e frequência com a qual os comprimidos estão sendo prescritos. Os números mostram que, em alguns países, um em cada 10 adultos é aconselhado a tomar antidepressivos, sendo Islândia, Austrália, Canadá e países nórdicos europeus líderes no assunto. As informações são do Huffington Post.

Dados referentes aos EUA mostram que mais de 10% dos adultos consomem o medicamento no país. Na China, o mercado de antidepressivos cresceu cerca de 20% nos últimos três anos. No entanto, as taxas globais de diagnósticos de depressão não aumentaram nas mesmas proporções.

Em um relatório de saúde, a OCDE disse que o aumento dos níveis de consumo pode ser explicado pela prescrição de antidepressivos para casos mais leves. A crise financeira também pode ser um fator para o aumento mais recente do uso. Na Espanha e em Portugal, por exemplo, a prescrição de antidepressivos saltou mais de 20% nos últimos cinco anos.

A maioria dos psiquiatras concorda que os antidepressivos são indicados para pessoas com doença grave. Aconselhamento e terapias, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), são reconhecidos como tão eficazes quanto medicamentos a longo prazo. Mas o aconselhamento é escasso em muitos países.

​"Nós sabemos que os antidepressivos funcionam para depressão de moderada à grave", disse Mark Van Ommeren, do departamento da saúde mental e abuso de medicamentos da Organização Mundial de Saúde. "A explosão de antidepressivos que você vê na maioria dos países reflete o fato de que muitas pessoas com depressão moderada à grave estão recebendo tratamento, o que é uma coisa boa. Por outro lado, um monte de pessoas está recebendo antidepressivos quando não deveriam. Médicos e profissionais de saúde devem ser capazes de diagnosticar a gravidade da depressão para que aqueles que precisam de antidepressivos sejam medicados e aqueles com casos leves não recebam prescrição", afirmou.

Os antidepressivos modernos conhecidos como ISRS (inibidores seletivos da recaptação da serotonina), como o Prozac, explodiram na década de 1990 e ganharam status quase de culto, com a publicação do livro Prozac Nation, de Elizabeth Wurtzel, em 1994. Os médicos passaram a receitar mais porque os medicamentos não teriam as propriedades que causam dependência ou efeitos colaterais, como as benzodiazepinas. Alguns anos depois, porém, pessoas que faziam uso do medicamento tentaram suicídio e ele foi proibido para menores de 18 anos.

Mas as questões em torno dos vários medicamentos parecem não ter afetado a tendência de alta. Os números da OCDE mostram Islândia com a maior taxa de prescrição, em 105,8 doses por dia para cada 1 mil habitantes em 2011, contra 70,9 em 2000 e 14,9 em 1989. A Austrália alcançou a marca de 80 em 2011, contra 45,4 em 2000. Já o Canadá, 85,9 em 2011 contra 75 em 2007. No Reino Unido, as taxas praticamente dobraram ao longo da última década e marcam 70,7 para cada 1 mil pessoas. A menor taxa em 2011 foi no Chile, de 12,8 doses diárias prescritas a cada 1 mil habitantes.

A maioria dos especialistas diz que os antidepressivos estão sendo prescritos sem necessidade para alguns e não são passados por vezes a quem realmente precisa.De acordo com o psiquiatra Tim Cantopher, consultor do Grupo Priory, os antidepressivos estão sendo bastante usados para acabar com a infelicidade. "Eles não foram projetados para isso. Infelicidade faz parte da condição humana. Mas a depressão clínica real responde a antidepressivos. E não prescrever, nestes casos, é condenar um indivíduo a uma doença por muito mais tempo do que o necessário”, disse.

Harvey Whiteford, professor de psiquiatria e saúde da população da Universidade de Queensland, na Austrália, disse que a depressão era muito comum e foi a segunda principal causa de incapacidade relacionada com a saúde. Mas na maioria dos países da OCDE, segundo ele, apenas cerca de 50 ou 60% das pessoas que sofrem de depressão têm tratamento.

Tim Kendall, diretor do Centro Nacional de Colaboração para a Saúde Mental no Reino Unido, duvidou que o aumento da prescrição de antidepressivos tenha sido resultado de um melhor reconhecimento da depressão em muitos países. "É muito mais provável ser fruto de uma ação de marketing eficaz por parte da indústria farmacêutica", disse ele.


Fonte: Saúde Terra



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