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Nunca imaginamos que dor na barriga do meu neto seria um câncer, diz avó


06/02/2015


Representando 3% dos casos de câncer no Brasil, doença na adolescência não tem como ser prevenida, mas tratamento precoce apresenta boas chances de cura

O Dia Mundial do Câncer, comemorado nesta quarta-feira (04), é uma data especial para Asenathe Barros Barreto, 56. A lembrança do diagnóstico de carcinoma embrionário do neto é inevitável.

É com a voz embargada que ela conta que o garoto foi diagnosticado aos 18 anos com um tipo de câncer que atinge apenas adolescentes. A gratidão da avó também transparece na voz: depois de um ano de tratamento, Jonathas Rodrigues Barreto já teve alta e está fazendo apenas acompanhamento, que deve durar cinco anos para assegurar que o câncer não voltará.

Devota, Asenathe agradece a Deus por ele ter passado pelo tratamento e ter recebido alta médica, e também expressa gratidão ao hospital que cuidou de Jonathas, especializado em câncer pediátrico.

O hospital que cuidou de Jonathas era o mais próximo de sua casa. Quando ele começou a sentir dores frequentes na parte baixa da barriga, ao lado direito, foi levado ao Hospital Santa Marcelina, ligado ao Tucca (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer), simplesmente pela comodidade de o centro médico ser mais próximo. Para o bem do adolescente, a escolha foi acertada: o local era especializado e conseguiu diagnosticar e oferecer tratamento gratuito ao garoto.

Para Jonathas e a família, no entanto, o diagnóstico foi um baque. Eu quase morri. Nunca imaginamos que a dor na barriga do meu neto seria um câncer. Achei que o enterraria quando o médico falou que era um tumor maligno, emociona-se Asenathe, que participou ativamente da criação de Jonathas e o considera como filho.

No dia seguinte do diagnóstico do carcinoma embrionário, Jonathas conheceu o centro cirúrgico do hospital para extração do tumor. Passou pela cirurgia, mas outros exames apontaram que o câncer já havia atingido o pulmão. A quimioterapia, então, foi necessária para erradicar as células mutantes que restavam em seu corpo. O procedimento foi um sucesso.

Hoje, Jonathas está bem, voltará às aulas e tem uma vida normal. O médico já liberou até banho de mar, alegra-se a avó. Agora ele só precisa recuperar o peso que perdeu durante o tratamento.


• Sem prevenção

Por volta de 10 a cada 100 mil adolescentes são atingidos por esse tipo de câncer. Diferente da doença que acomete o adulto, não há prevenção nessa faixa etária. Adolescente não tem câncer de pulmão, de próstata ou intestino, explica Renato Melaragno, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica.

O câncer na adolescência se assemelha mais ao infantil, em que não há formas de prevenir também, explica Melaragno. Apesar desse obstáculo, as taxas de cura são altas quando o diagnóstico é precoce.

No Brasil, pouco se fala sobre câncer na adolescência. Pensando nisso, o diretor do departamento de oncologia pediátrica do Hospital Santa Marcelina, Sidnei Epelman, contribuiu para a comunidade médica-científica com o primeiro título brasileiro especializado na área: o livro Oncologia no Adolescente (Editora Atheneu), um compilado de informações sobre todos os tipos de câncer que podem aparecer nessa faixa etária.

São cânceres que se assemelham mais com aqueles da infância do que com os da idade adulta, explica o médico. Existe toda uma linguagem e especificidade para o câncer na adolescência, do diagnóstico ao tratamento, conta ele.

A fase em que o adolescente está é crucial para diferenciá-lo de uma criança ou um adulto. No livro, Epelman também reflete e convida médicos e profissionais da saúde a pesar a importância do apoio psicológico que o adolescente precisa para lidar com questões como queda de cabelo, períodos fora da escola e efeitos colaterais do tratamento.


• A cura

Diferente do tratamento adulto, em que a quimioterapia é um pouco mais suave, no caso do câncer na adolescência, o tratamento é forte.

A quimioterapia é pesada porque o procedimento visa a cura e não apenas prolongar a vida do paciente, explica o médico. Segundo Melaragno, os efeitos colaterais são fortes, mas manejáveis. É possível prevenir e amenizar os efeitos colaterais da quimioterapia. O adolescente costuma tolerar bem o procedimento, detalha.

A queda na imunidade típica depois de sessões de quimioterapia pode ser tratada e há um cuidado extra com infecções e febres. O tratamento varia de acordo com cada tipo de câncer, mas, em média, não passa de dois anos.


Fonte: Saúde iG



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